A meteorologia continuou conspirando a nosso favor. A temperatura caiu um pouco, mas o dia estava lindo.
Nós não tínhamos programado visitar nenhuma vinícola por aqui, mas depois de ver tantos vinhedos e tantas Quintas espalhadas, resolvemos conhecer um pouco sobre os vinhos da região.
Nosso hotel nos forneceu um guia da região no qual constavam algumas Quintas (as mais famosas e que tinham visitação com degustação). Eram cerca de 8 Quintas, as quais também constavam em algumas listas da internet das mais interessantes.
Dentre essas a única que eu já ouvira falar era a Quinta da Pacheca. Todas as Quintas tinham site com as informações e algumas permitiam o agendamento online. A Pacheca só tinha vaga para outubro – aproveito para dizer que quem pretende visitar as Quintas deve fazer o agendamento previamente pela internet com bastante antecedência. A outra, do Seixo, só tinha vaga para a degustação de vinho do Porto (algumas Quintas só têm degustação de vinho do Porto).
Por fim agendamos com a Quinta do Vallado para as 15:30 a visita com degustação. Logo, tínhamos o dia para fazer outras coisas.
Começamos visitando mais um miradouro – de S. Leonardo da Galafura, que fica por trás da cidade de Covelinho e permite ver o vale do Douro de mais um ângulo. Novamente, vinhedos e mais vinhedos espalhados por todo lado.
Na subida para o miradouro nos deparamos, novamente, com “aqueles” nomes de Vilas e Cidadezinhas bem estranhos.
Depois seguimos para alguns afazeres necessários – lavar roupa, comprar água e abastecer o carro. Achamos uma lavanderia self-service o estacionamento do supermercado Inter-marché e em 60 minutos, ao custo de 8 euros, lavamos e secamos nossa roupa.
Daí fomos almoçar. Escolhemos o restaurante Torrão, em frente à ponte de Régua. Um restaurante mais arrumado, com um padrão de preços mais elevado do que os que tínhamos visto até agora, mas com pratos muito bem servidos, permitindo compartilhar o prato.
Bom, então chegou a hora da nossa visita à Quinta do Vallado. Essa Quinta existe desde o início do sec. XVIII e pertencia à familia Ferreira. Como todas as demais da região, produzia apenas vinho do Porto, que era produzido aqui e, obrigatoriamente, envelhecido em Vila Nova de Gaia.
Nos anos 1980 a marca Ferreira foi vendida e nos anos 1990 a família criou a Quinta do Vallado, produzindo outros vinhos além do vinho do Porto.
A Quinta do Vallado situa-se no Baixo Corgo e tem 35 hectares de vinhedos. Também possui mais duas Quintas na região do Douro Superior que juntas somam 63 hectares. E ainda compram uvas de pequenos produtores locais. Com isso produzem cerca de 1,5 milhão de garrafas de vinho ao ano, sendo 70% vinho tinto, 20% brancos e roses e 10% vinho do Porto. Dessa produção, 50% é exportado, sendo o Brasil o maior comprador.
A grande maioria dos vinhedos é de uvas Touriga Nacional, Touriga Franca, Souzão, tinta roriz e tinta barroca. Com essas uvas são produzidos vinhos de uma única casta, ou blends. Alguns vinhedos são mistos com mais de 30 variedades de castas, e dali são produzidos os “field blends”, vinhos tops da Quinta. Com essas castas também são produzidos os vinhos do Porto, havendo variação no ponto de maturação para a colheita e no processo de produção do vinho (os vinhos do Porto têm maior teor alcoólico – entre 18-22% - e são mais doces).
Depois de andarmos pela Quinta vendo os vinhedos, o processo de recebimento e seleção das uvas, os tanques de fermentação e as barricas de envelhecimento (barricas de carvalho francês), fomos para a sala de degustação.
Nos foram oferecidos 5 vinhos – um branco blend de três uvas envelhecido por 7 meses, bem saboroso, um tinto blend razoável, um touriga nacional muito bom, leve, e um reserva de field blend de vinhas velhas, de excelente qualidade. Fechamos com um Porto Tawny, envelhecido 10 anos, servido gelado, muito bom.
A minha experiência anterior com vinho do Porto havia sido muito ruim e eu sempre recusei tomar esse tipo de vinho, mas agora que provei um de muito boa qualidade e entendi um pouco mais sobre ele, vou poder apreciá-lo.
Assim finalizamos nossos dias no Vale do Douro, conhecendo suas aldeias, suas cidades, sua cultura. Foram dias agradáveis e prazeirosos.
Vou aproveitar para comentar no café da manhã servido por aqui. Recentemente viajamos pelos EUA e, quando os hotéis oferecem café da manhã é o “café continental”, aquele basico de pão de forma, geleias e queijos industrializados, iogurtes, aquele ovo mexido artificial, nada de frutas e eventualmente uma panqueca ou waffle, mas tudo sem gosto e sem graça. Até agora, em todos os hotéis em que nos hospedamos, é aquele café da manhã parecido com o Brasil, pão fresco, queijos e frios, frutas, sucos, coisas caseiras e saborosas.
Amanhã continuamos nosso roteiro para conhecer Guimarães e pernoitar novamente em Braga.








































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